O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.
O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva passou a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, também conhecido como Livro de Aço, em reconhecimento à sua atuação firme no combate à corrupção e à defesa do interesse público. A homenagem foi oficializada pela Lei Federal nº 15.446, de 30 de junho de 2026, que determinou a inscrição de seu nome no memorial localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Natural de Pernambuco, Pedro Jorge formou-se em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco em 1º de dezembro de 1972. Ingressou no Ministério Público Federal em 3 de julho de 1975 e, apenas dois anos depois, foi designado para chefiar a Procuradoria da República no Estado de Pernambuco. Ao longo de sua carreira, destacou-se pela dedicação, independência e rigor na defesa da legalidade.
Sua atuação ganhou projeção nacional durante as investigações do chamado Escândalo da Mandioca, um dos maiores casos de fraude financeira envolvendo recursos públicos da época. O esquema consistia na concessão irregular de centenas de financiamentos agrícolas por meio do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (PROAGRO), utilizando beneficiários fictícios e agricultores que, sem conhecimento, eram transformados em devedores do Banco do Brasil.
Após investigações conduzidas por auditores do Banco do Brasil e do Banco Central, o inquérito policial foi encaminhado ao procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Em janeiro de 1982, ele apresentou denúncia contra 19 envolvidos, entre eles autoridades e agentes públicos, requerendo ainda o sequestro de seus bens. Sua atuação firme no caso passou a representar um marco no combate à corrupção no país.
Em razão de seu trabalho, Pedro Jorge passou a receber constantes ameaças. No dia 3 de março de 1982, foi assassinado com seis tiros, três deles à queima-roupa, quando saía de uma padaria em Olinda (PE). O crime chocou o país e transformou o procurador em símbolo da defesa da justiça e da integridade das instituições democráticas. Pedro Jorge deixou a esposa, Maria das Graças Vigas e Silva, e duas filhas, Roberta e Marisa.
Mais de quatro décadas após sua morte, o Congresso Nacional reconheceu oficialmente a importância de sua trajetória para a história brasileira. Com a sanção da Lei Federal nº 15.446/2026, originada do Projeto de Lei nº 3.663/2023, Pedro Jorge de Melo e Silva teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, homenagem destinada a brasileiros e brasileiras que prestaram contribuições extraordinárias à construção e à defesa da nação.
O reconhecimento eterniza a memória de um servidor público que dedicou sua vida à justiça e ao combate à corrupção, reafirmando seu legado como exemplo de coragem, ética e compromisso com o Estado Democrático de Direito.