O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Rosely Roth é indicada para inscrição no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

O nome da ativista brasileira Rosely Roth foi indicado para possível inscrição no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria por meio do Projeto de Lei nº 3.073/2026, apresentado em 11 de junho de 2026 pela deputada Erika Hilton.

Reconhecida como uma das mais importantes lideranças do movimento lésbico brasileiro, Rosely Roth dedicou sua vida à defesa dos direitos das mulheres lésbicas e à ampliação da visibilidade da população LGBTQIA+ no país. Nascida em 21 de agosto de 1959, graduou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1981 e realizou estudos de pós-graduação em Antropologia na mesma instituição, desenvolvendo pesquisas sobre as vivências e os modos de vida de mulheres lésbicas.

Durante a década de 1980, Rosely teve papel fundamental na construção do ativismo lésbico organizado no Brasil. Participou da criação de grupos como o Lésbicas-Feminista (LF) e o SOS Mulher, além de fundar, em 1981, o Grupo de Ação Lésbica Feminista (GALF), organização que se tornou referência na luta pelos direitos das mulheres lésbicas brasileiras.

Entre suas contribuições mais marcantes está a produção do jornal “Chana com Chana”, considerado um dos principais marcos da imprensa lésbica no país. Em um período ainda marcado pelos últimos anos da Ditadura Militar, a circulação da publicação enfrentou obstáculos e episódios de censura, tornando-se símbolo da resistência e da organização política das mulheres lésbicas.

Um dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória ocorreu em 19 de agosto de 1983, quando integrantes do GALF, acompanhadas por outros grupos LGBTQIA+ e apoiadores, realizaram uma manifestação no Ferro’s Bar, na região central de São Paulo. O ato foi uma resposta à proibição da venda do jornal “Chana com Chana” e às expulsões de frequentadoras do estabelecimento. O episódio ficou conhecido como o “Stonewall brasileiro” e é considerado a primeira manifestação lésbica organizada do país.

Além da militância, Rosely Roth contribuiu para o debate público por meio de artigos, fanzines, entrevistas e participações na imprensa. Seus textos abordaram temas como censura, direitos civis, família, adoção por pessoas homossexuais e a presença da pauta LGBTQIA+ na Constituinte. Também se destacou por sua atuação nos meios de comunicação, tornando-se uma das primeiras mulheres brasileiras a declarar publicamente sua orientação sexual na televisão, em uma época marcada por forte discriminação e invisibilidade.

Rosely participou de programas de grande audiência, como os apresentados por Hebe Camargo, além de debates na TV Bandeirantes sobre direitos da população homossexual. Sua atuação contribuiu para ampliar a discussão pública sobre diversidade sexual e cidadania no Brasil.

Rosely Roth faleceu em 28 de agosto de 1990. Treze anos após sua morte, organizações do movimento LGBTQIA+ instituíram o Dia do Orgulho Lésbico, celebrado em 19 de agosto, em memória da mobilização realizada no Ferro’s Bar e como homenagem à sua trajetória de luta e resistência.

A proposta legislativa destaca sua contribuição para a promoção dos direitos humanos, da igualdade e da visibilidade das mulheres lésbicas no Brasil. O projeto ressalta ainda seu pioneirismo no ativismo LGBTQIA+ e sua importância para a construção de avanços sociais e políticos em defesa da diversidade.

Caso aprovado, a inclusão de seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria representará uma homenagem oficial a uma das figuras mais importantes da história do movimento lésbico brasileiro e da luta pelos direitos da população LGBTQIA+ no país.